Nona
(Almir E.F.Neves - 03/1987)

Aurora

Primavera

Girassol, adália
Vento baila nos corpos
Rensce felicidade
A brisa do amor delicia.
Alvoreceu
Sol, horizonte
Na penumbra do teu colo,
Deito, encontro acalanto.
A brisa do amor delicia.
Anoiteceu
Pirilampo, estrela
Num carrossel ao céu
Seguindo a estrada do infinito
A brisa do amor delicia.
Amanheceu.
Aguia, aurora
Acaricio-me em teu orvalho
A gorjear desperto o mundo
A brisa do amor delicia.

Colheita

O dia a morrer.
Sentimento de despedida
A dor no entardecer,
A brisa da vida.

O chuvisco da roça
Levou a poeira.
Na estrada, a carroça
Arco-iris, porteira

O luar envolve o ranho
Canteiro de estrelas, caminho,
Um carro de boi gemedor,
Balaio, enxada, rastelo, suor.

Cadeira de balanço na varanda,
Chapu de palha, chinelo de corda,
Fumo de rolo, estória do passado,
Cantiga de viola, moça tece bordado.

Vaga-lume, lamparina,
O coachar da rã no brejo,
O rosário,. o colchão de capim,
O amanhecer, o poço, o alecrim.

A terra, a luta, o amor
Xô pardais! Braço forte, alçapão.
A esperança, alegria no coração
A fartura, a colheita na mão.